Laurie Cabot
🌿
Laurie Cabot
🌿
Laurie Cabot nasceu em 6 de março de 1933 em Massachusetts nos EUA e faleceu em 2018. É frequentemente chamada de “Bruxa Oficial de Salem”. Em 1970 abriu em Salem a primeira loja exotérica (The Cat, the Crow and the Crown), lançando ali a Tradição Cabot de Bruxaria e Wicca. Autora de vários livros de sucesso, foi mulher pioneira no movimento wiccano americano moderno.
📜 Contexto histórico
Laurie viveu o período de rápido crescimento da Wicca e do neopaganismo nos EUA nas décadas de 1960-70, sobretudo após a legalização do paganismo em 1972. Em Salem, onde ocorreu a histeria coletiva e julgamentos sem defesa das bruxas de 1692, ela surgiu como porta-voz viva da imagem da bruxa benevolente. Na época, Laurie, admirada por Doreen Valiente, chamou atenção por aceitar e responder aos políticos locais, conseguindo até mesmo que o governador do estado de Massachusetts a reconhecesse como “Bruxa Oficial” de Salem (um tipo de embaixadora cultural não paga).
📖 Biografia
Filha de pais anglo-americanos de classe média, Laurie Cabot (nascida Mercedes Marchante) descobriu a bruxaria ainda jovem, influenciada por contos de heranças espanholas e sentimentos de injustiça social. Estudou na Universidade de Boston e tornou-se agente da saúde pública, mas o interesse pelo misticismo persistiu. Em 1960 visitou seu primeiro coven wiccano em Boston e foi iniciada, adotando o nome Laurie Cabot (da figura ficcional “Bruxa de Salem, personagem de ficção”). Na virada da década de 1970, abriu sua própria loja esotérica em Salem, a primeira loja de Wicca dos EUA, e fundou o Grupo das Bruxas de Cabot. Como ministra ordenada pelo sacerdócio wiccano, realizou casamentos públicos rituais, batismos e cerimoniais abertos.
🔥 Trajetória na bruxaria
A trajetória de Laurie destaca-se pela natureza pública de sua bruxaria. Em uma época de tabu, ela se apresentou à mídia como bruxa sem medo: deu entrevistas, fez palestras e atuou ativamente em defesa das minorias. No coven de Cabot, incorporou celebrações típicas da Wicca Gardneriana como os sabbaths mas também as adaptou à realidade americana, contando por exemplo com a referência às estações locais e à herança indígena em alguns rituais. Introduziu rituais de cura coletiva (como grupos de filosofia energética) num ambiente mais holístico. Nos anos 80 promoveu a “Disciplina do Treinamento de Bruxa”, uma espécie de sistema de estudos progressivos em magia. Em essência, sua bruxaria foi sempre voltada para fortalecimento comunitário: ensinou milhares a pensar na bruxaria como ferramenta de autoconfiança e mobilização política.
📚 Contribuições
Laurie Cabot é autora de várias obras clássicas, tais como The Witchcraft Workbook (1973, O Livro de Bruxaria), Power of the Witch (1989, O Poder da Bruxa), e The Witch in Every Woman (1994). Ela destacou-se por dar às mulheres recursos práticos de magia (feitiços simples, uso de ervas e cristais, exercícios de visualização). Suas publicações não se restringem a ritos no coven: foram guias sobre como viver como bruxa no cotidiano. Culturalmente, introduziu no imaginário popular o conceito de “bruxa com chapéu pontudo” associando-o a figura positiva. Sua paixão pela etnobotânica gerou livros de referência em uso de ervas e plantas na Wicca. Além disso, fundou organizações beneficentes como a Wiccan Peace Corps. Sua contribuição foi combinar a bruxaria ritual com advocacia pública (ela testemunhou em julgamentos a favor da bruxaria, por exemplo).
📘 Obras originais
Em suas obras, ela enfatiza tanto magia prática quanto filosofia (por exemplo, O Poder da Bruxa defende integrar bruxaria e ciência hermética). The Witchcraft Workbook é um manual básico de rituais e meditações para iniciantes, enquanto Love Magic (1988) aborda aspectos do amor e relacionamentos na Wicca. Muitos de seus livros foram traduzidos para o português, como “O Poder da Bruxa: a Terra, a Lua e o caminho da Bruxa” e “O Livro dos Feitiços e Encantamentos” (este último de conteúdo bem enciclopédico). Cada obra citada por Cabot costuma conter histórias de ensino e exercícios práticos, refletindo sua abordagem didática carinhosa: expõe métodos passo a passo para feitiços cotidianos, sempre com notas de segurança (um reflexo de seu senso de responsabilidade).
🌙 Pensamento e visão
Cabot preconizava que “toda mulher pode ser uma bruxa”; sua visão espiritual era altamente feminista antes do conceito se tornar deturbado pela mídia. Ela enfatizava autoconhecimento e autoconfiança, para ela a bruxa é uma pessoa que abraça seu poder interno. Celebrava a Deusa Mãe abertamente, muitas vezes mais do que o Deus cornudo, ecoando a ambientação de Salem e seu histórico de perseguição a mulheres. Afirmava que a bruxaria não era um culto da bruxa mágicka (como Hollywood pintava), mas um caminho de cura e solidariedade. Ensinava que a magia está no ordinário (um conceito refletido em títulos como The Witch in Every Woman), promovendo a ideia de que cada ação cotidiana pode ser ritualizada. Em resumo, Laurie via a Wicca como um meio de empoderamento pessoal e de conexão com a natureza, enfatizando a harmonia com as Leis Herméticas (ela até escreveu sobre as Sete Leis Herméticas) e promovendo práticas de bruxaria que respeitassem a comunidade e o planeta.
🗝️ Curiosidades documentadas
Entre as curiosidades de sua vida, destaca-se que Cabot atuou como porta-voz de Salem e até participou de programas de TV (por exemplo, fez aparição no Donahue Show dos anos 70). O Governador Michael Dukakis a homenageou em 1977, levando à alcunha de “Bruxa Oficial de Salem”. Ela introduziu o símbolo da abóbora de Halloween como oferenda à deusa, rindo da ironia da data, e colecionava gatos como mascotes. Manteve laços estreitos com Gerald Gardner e Doreen Valiente (que a admiravam como “Princesa da Wicca”), e até o fim da vida recebeu peregrinos em sua casa em Salem, onde oferecia conselhos.
⚖️ Controvérsias e críticas
Em geral, Laurie Cabot foi mais celebrada do que contestada. A mais notável controvérsia pessoal envolveu a polêmica em torno de Martin Baum, um ex-membro de seu coven que alegou ter sido iniciado ilegalmente; o caso chegou à mídia local em 1990, mas nunca foi provado. Academicamente, algumas de suas ideias mais esotéricas, como afirmar publicamente que o fogo do diabo era apenas uma superstição, foram recebidas com ceticismo por autoridades religiosas. Seu maior “conflito” foi com a imagem popular: enquanto Salem ganhava turistas procurando bruxas hollywoodianas, ela insistiu em educar sobre a verdadeira Wicca, enfrentando uma sociedade que às vezes só via Halloween e shows de terror. Dentro do meio wiccano, alguns guardiões tradicionais desacreditavam seus métodos mais “new age” (por exemplo, a inclusão de óleos essenciais em feitiços), mas ela argumentava que adaptava o antigo à realidade moderna.
🌱 Legado e influência
O legado de Laurie Cabot é visível até hoje em Salem e no movimento wiccano como um todo. Ela trouxe a Wicca para a consciência pública americana de uma forma jamais vista antes, inspirando outras bruxas a agirem politicamente. Sua abordagem acessível, “magia para todos”, serviu de modelo para que se ensinasse bruxaria em escolas abertas no Brasil e nos EUA. Em termos doutrinários, a Tradição Cabot continua viva, enfatizando rituais solenes e compromisso com o realismo mágicko. Publicamente, ajudou a consolidar o velho mito de Salem como local de renascimento positivo da bruxaria americana, influenciando roteiristas, cineastas e escritores de fantasia que visitam aquela cidade. Bibliotecamente, muitos consideram O Poder da Bruxa um manual essencial, um atestado de seu impacto.
🕰️ Linha do tempo
1933: Nascimento de Mercedes Marchante em Massachusetts.
1962: Primeiro contato formal com grupos de bruxaria em Boston.
1970: Inaugura “The Witch Shoppe” em Salem; funda a Witches’ League for Public Awareness.
1975: Recebe do estado de Massachusetts a designação informal de “Bruxa Oficial de Salem”.
1989: Lança Power of the Witch (O Poder da Bruxa), best-seller e referência global.
1992: Publica Witchcraft Workbook (O Livro de Bruxaria).
2008: Recebe Selo da Cidade de Salem em cerimônia pública.
2018: Morre, tendo antes instituído sua tradição como principal herança pagã de Salem.
🌑 🌒 🌓 🌔 🌕 🌖 🌗 🌘 🌑

Comentários
Postar um comentário