Handfasting

Handfasting
O Rito de União


O Handfasting é o rito de passagem que consagra a união entre duas pessoas. Mais do que um casamento simbólico, ele representa o reconhecimento público e ritual de que duas vontades soberanas escolheram entrelaçar seus caminhos sob o olhar dos Deuses e dos Elementos.

Diferente de concepções comuns de matrimônio, na Wicca a união não é contrato perante uma autoridade externa, mas uma afirmação consciente perante a própria Natureza viva. A Deusa e o Deus não observam de fora; manifestam-se na carne, no desejo, na fertilidade e na palavra empenhada. O casal não pede permissão para amar. Reconhecem que o amor é expressão direta da força criadora que sustenta o Universo.


✧ Raízes Tradicionais ✧

O termo Handfasting remonta às práticas pagãs das Ilhas Britânicas, onde o entrelaçar das mãos simbolizava a formalização de uma união. Gerald Gardner preservou essa estrutura ritual ao sistematizar a Wicca Tradicional, compreendendo o casamento como parte orgânica do ciclo da vida, não como sacramento exclusivo ou permanente por imposição.

Descreve o Handfasting como ato mágicko e legal dentro do coven, onde a palavra falada, selada pelo círculo e pelos Elementos, possui força operativa real. E reforça que o rito não cria o amor, mas o reconhece e o consagra perante a comunidade e as forças naturais.


✧ Fundamento ✧

Na visão Algardiana, o Handfasting é expressão da polaridade divina em equilíbrio. A Deusa e o Deus manifestam-se como forças complementares presentes em cada indivíduo, e lembrem-se não estamos falando de homem e mulher, mas sim de expressões dos Deuses que independem disso, desta forma as relações homoafetivas são totalmente aceitas dentro da tradição. A união não é absorção ou controle de um pelo outro, mas dança harmônica entre potências equivalentes.

O altar, voltado ao Norte, ancora a estabilidade da Terra. O Fogo no Sul aquece a paixão e a ação. O Ar no Leste inspira entendimento. A Água no Oeste sela com sensibilidade e profundidade emocional. O casal posiciona-se ao centro do Círculo, tornando-se ponto de convergência dessas forças.

Assim, o Handfasting não é apenas união afetiva. É integração consciente entre duas energias.


✧  Ritual  ✧

1. Abertura do Círculo: O Sacerdote e a Sacerdotisa traçam o Círculo, consagrando o espaço. Os Guardiões Elementais são chamados.

2. Declaração de Intenção: Cada participante declara sua vontade livre de união. A ausência de coerção é princípio absoluto.

3. Entrelaçamento das Mãos: As mãos direitas são unidas e atadas com fita ou cordão. O laço representa compromisso, mas também interdependência.

4. Votos: A palavra empenhada é considerada ato mágicko. O que se declara no Círculo reverbera na teia da existência.

5. Bênção Elemental: Terra toca os pés, Ar envolve a respiração, Fogo aquece a chama interior, Água purifica e sela.

6. Partilha do Cálice: Representa fertilidade, abundância e comunhão de caminhos.

7. Proclamação: O casal é reconhecido como unido perante os Deuses e a comunidade.


✧ Duração da União ✧

Tradicionalmente, o Handfasting pode ser celebrado por um ano e um dia, período após o qual o casal pode renovar ou dissolver o compromisso. Essa prática reflete a ética wiccana de responsabilidade contínua. União não é prisão. É escolha renovada.

Quando celebrado como permanente, o compromisso assume caráter vitalício, mas sempre sustentado pela liberdade individual.


O Handfasting Algard não é espetáculo social. É ato ritual consciente, expressão viva da Arte. Ao selar a união, o casal torna-se reflexo da própria dança cósmica entre polaridades. O amor, assim consagrado, não pertence apenas aos unidos, mas integra-se ao ciclo eterno da Roda da Vida.


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