Músicas Algardianas

Músicas Algardianas


Biblioteca sonora ritualística da Tradição Algard.
Cânticos, invocações e composições dedicadas aos Mistérios.


✧ A Carga da Deusa ✧

Ouçam… Eu sou a Mãe antiga De muitos nomes De um só coração Quando a lua se faz plena E o véu começa a cair Me chamem ao círculo Eu sempre estive aqui Sou a água que liberta Sou o ventre do cantar Não nasci para correntes Eu nasci para dançar Não Me busquem no sacrifício Nem no medo ou na dor Meu templo vive em você Meu altar é o amor Cantem, dancem, celebrem Livres sob o mesmo céu Meu é o êxtase da alma Meu é o vinho e o véu Toda alegria é sagrada Todo prazer é oração Meu corpo é a própria Terra Meu rito é o coração Sou o cálice e o mistério O caldeirão do saber O caminho que atravessa O morrer e o viver Eu guardo os nomes antigos Que o tempo sussurrou Sou a ponte entre os mundos Sou a Mãe que os chamou Além da última porta Eu ofereço paz Liberdade sem correntes E o amor que nunca se desfaz Cantem, dancem, celebrem Na carne, no som, na união Meu é o riso da Terra Meu é o pulso da canção Toda vida é sagrada Toda forma é expressão Eu sou o fim do desejo E o começo da visão Eu sou a estrela distante E o musgo sob seus pés De Mim tudo flui A Mim retorna outra vez Se Me busca fora Seu anseio não verá Pois o Mistério que busca Sempre dentro estará Que haja força e beleza Poder unido à compaixão Que o amor caminhe Com a honra e a reverência em vão Pois todo ato de amor Todo toque, toda união São Meus rituais Em cada pulsação Desde o início dos tempos Eu caminho em você E no fim do desejo Sou Eu quem te recebe

✧ A Carga do Deus ✧

Ouçam… Eu sou o Pai antigo O que sopra as florestas E sustenta as raízes Eu abro os espirais do tempo Da aurora ao escurecer Sou a semente e a foice O viver e o morrer Minha voz corre nos ventos Em línguas que o mundo esqueceu Sob as estrelas eu canto O som que sempre viveu Não neguem Minha face sombria Nem temam Meu nome ancestral Sem morte não há caminho Sem sombra não há o Sol Eu sou o pulso da vida A espiral que não vai cessar O fogo que aquece a Terra E o silêncio depois do luar Me conheçam no desejo Na força, no amor Pois vida que não se transforma É a prisão do próprio tempo Sou o Deus dos chifres antigos Das colinas de verão Da flauta que chama o êxtase E desperta o coração Eu caminho nas cavernas E na pedra sob seus pés Sou a presença na escuridão E a luz suave da manhã Não existe luz sem sombra Nem sombra sem pulsação Eu trago a paz da morte E o vigor da criação Eu sou o Sol que desperta E o oculto além do véu O poder que rompe correntes E devolve o homem ao universo Honrem Minha selvageria Sem medo, sem negação Pois livre é o espírito Que conhece a transformação Sem amor eu nada crio Nada vive, nada dura Eu preciso da Deusa Como o rio da nascente pura No enlace sagrado do mundo No êxtase da criação Nós somos o Um eterno Girando na mesma canção Celebrem Minha força Vibrem com Meu poder Pois trago a liberação Que ninguém pode deter Vida livre, espírito erguido Na dança em espiral Eu sou o som que caminha Em cada respiração Não Me temam… me reconheçam em vocês E sejam livres

✧ Faces da Lua ✧

Ela nasce Ela cresce Ela reina Ela retorna Sou o primeiro brilho no céu O passo leve antes do destino Promessa viva de caminhos A chama nova do divino Eu sou o riso que desperta O desejo de começar A lua clara que anuncia Tudo o que pode florescer e amar Quando Me vê crescendo Sabe que o mundo também está Eu sou a Lua plena Alta no coração do céu O ventre fértil da Terra O cálice, o canto, o véu Eu sou a vida pulsando Em maré, sangue e canção Meu nome ecoa no mundo Em toda invocação Sou a guardiã do círculo Do amor que pulsa A que nutre, a que ensina A que nunca anda só, mas além Minha luz banha os corpos Desperta o poder interior Toda bruxa que dança Reconhece o Meu fulgor Na plenitude do brilho Eu Me revelo em você Eu sou a Lua plena No auge da criação Força, mistério e beleza Unidos na mesma canção Todo rito é Meu reflexo Toda magia é expressão Quando Me olha no céu Eu desperto em seu coração Quando Eu minguo em silêncio Sou a chave do portal Não temo a noite profunda Pois nela não habita o final Eu sou o fim que ensina E o começo além do véu A lua escura que guarda O segredo do céu Donzela, Mãe e Anciã Três rostos, um só poder Eu giro com a Roda do Tempo Em você, no céu, no viver Olha para Mim E lembra quem você é

✧ O Caminho do Sol ✧

Eu sou a luz da vida Eu desperto a Terra Eu descanso no fogo que nunca se apaga Eu nasço no sopro dourado Que rompe o frio da noite Sou o primeiro calor na pele A promessa que o dia acolhe Desperto sementes dormentes Chamo aves para cantar Sou o passo inicial do mundo Que se levanta para criar Quando Me ergo no horizonte A vida aprende a caminhar Eu sou o Sól no alto do céu Força viva a pulsar Sou o calor que nutre a Terra E ensina o tempo a girar Meu fogo é vida em movimento Meu brilho é libertação Eu aquêço corpo e espírito Em cada pulsação Sou a Roda do Tempo A colheita que vai crescer O vigor que sustenta os dias E a coragem de permanecer Meu passo é firme Sem pressa, sem recuar Eu ensino o valor da presença E a força de continuar No centro da chama dourada Eu sustento a criação Eu sou o Sól que govérna O ritmo da respiração Luz que desperta caminhos E fortalece a intenção Tudo cresce sob Meu olhar Nada vive em vão Eu sou o pulso do dia Batendo no coração Quando dêsço em brasas suaves Não é o fim do caminhar Sou o fogo que vira memória E ensina a soltar No dourado do entardecer Eu guardo o que foi vivido Pois até a noite escura Protege o equilíbrio Eu sou o Sol que retorna Mesmo quando não me vê A chama que nunca se apaga Dentro de você Eu sou a luz que aquece E o silêncio do tempo

✧ Nada Para, Tudo Gira ✧ Roda do Ano ✧

Nada começa do zero, Nada termina aqui. O que parece distância, É só o tempo em espiral. Cada passo carrega, O eco do que já foi. O chão muda de nome, Mas pertence ao todo. Eu não quebro o ciclo, Eu escuto o chão. Nada para Tudo gira Mesmo quando não se vê O fim segura o início Fluindo em espiral Nada para Tudo ensina A voltar sem repetir O que muda de forma Aprende a seguir O fogo lembra da cinza A água lembra do sal Toda queda conhece Um outro jeito de subir O centro não é lugar É saber girar Nada para Tudo gira No pulso do que é real O tempo não me empurra Ele só me leva igual Eu caio Eu volto Eu sigo Nada para Tudo gira E eu giro junto também O que parte já retorna Com outro nome Outro além O círculo fecha Porque nunca abriu

✧ A Luz Que Não Falha ✧ Yule ✧

O frio deixa o mundo em pausa Tudo espera sem pedir A noite cresce, mas sustenta O que ainda quer florir No escuro eu aprendi A confiar sem ver A luz não falha Ela só demora Mesmo pequena Ela sabe ficar A luz não falha Mesmo na noite mais longa Ela retorna Sem precisar gritar O fogo guarda nomes antigos Que o tempo não levou Cada chama é um acordo Entre o que foi e o que sou Nem tudo precisa nascer No dia em que se vê A luz não falha Ela só demora Mesmo pequena Ela sabe ficar A luz não falha No fundo da noite mais densa Ela retorna Sem precisar brilhar Eu aqueço o que restou Eu espero Eu sustento O inverno não apaga Ele ensina a proteger A luz não falha Eu sinto, não peço No centro do frio Ela sabe morar A luz não falha Eu sigo em silêncio O dia começa Antes de clarear O sol retorna Porque nunca partiu

✧ Antes do Nome ✧ Imbolc ✧

Não sou chama alta Mas já me movo aqui Sou quase ideia Sou vontade de existir No escuro mais fundo Algo aprende a acordar Antes do nome Antes da voz Eu já era chama Pedindo ar Antes do gesto Antes do som Eu já sabia Que ia ficar O frio ainda insiste Mas não domina mais Debaixo da terra O tempo abre um sinal Nem tudo nasce pronto Nem tudo quer correr Antes do nome Antes da voz Eu já era chama Sem precisar arder Antes do dia Antes do sol Eu já existia Sem me ver Eu aquêço devagar Eu cresço em silêncio O que começa agora Não pede permissão Antes do nome Antes do verbo Eu já estava inteiro Dentro de mim Antes do medo Antes do fim Eu já sabia Onde florir Tudo começa Quando é cuidado

✧ Entre Dois Pulsos ✧ Ostara ✧

O dia aprende a se dividir, Sem medo de se partir. Luz e sombra em união, Respiram a mesma canção. Nada pesa. Nada cai. Tudo encontra Um ritmo. Entre dois pulsos eu caminho, Nem mais longe, nem atrás. O que sobe encontra o chão, O que cai aprende a voar. O passo agora quer corpo, Quer ritmo, quer sinal. O mundo gira em acordo, Nem demais, Nem de menos. O ciclo não é parada, É saber oscilar. Entre dois pulsos eu caminho, Nem mais longe, nem atrás. O que busca encontra forma. O que espera encontra paz. Eu não fórço, Eu acompanho. Entre dois pulsos eu permaneço, Inteiro no que sou. O equilíbrio é movimento, E eu já estou. Tudo vive Porque dança

✧ Onde o Corpo Diz Sim ✧ Beltane ✧

O fogo agora tem forma, E sabe onde tocar. Não pede licença ao medo, Só chama pra ficar. O passo encontra o outro, Sem mapa pra seguir. O que desperta no encontro, Já não quer fugir. Não é excesso É verdade É o agora Em movimento Onde o corpo diz sim, Sem promessa ou sinal. Eu me acendo no ritmo, Do que é real. Onde o corpo diz sim, Eu não volto atrás. O desejo é caminho, E pede mais. O ar carrega o cheiro, Do que quer nascer. Tudo vibra no acordo, De se reconhecer. O pulso chama o pulso, E aprende a confiar. Onde o corpo diz sim, Sem precisar provar. Eu me entrego ao calor, Que quer circular. Onde o corpo diz sim, Eu fico aqui. Inteiro no fogo, Que escolhi. Eu danço Eu sinto Eu fico Onde o corpo diz sim, O mundo responde. Nada se quebra, Tudo expande. Onde o corpo diz sim, Eu deixo arder. O que nasce no toque, Quer viver. O fogo sabe Quando é verdadeiro

✧ No Centro do Dia ✧ Litha ✧

O sol não pede espaço, Ele ocupa. Eu fico em pé no claro, Sem desculpas. Tudo o que fui sustenta, O que sou. O dia inteiro cabe, No agora que chegou. Não é promessa, É presença, É permanecer. No centro do dia eu fico Sem sombra pra esconder. Meu nome ecoa inteiro No que escolhi viver. No centro do dia eu sei Onde a chama quer ficar. A luz não me consome Ela aprende a me habitar. O fogo ensina limite E direção. Brilhar também é cuidar Do próprio chão. Nem toda força avança Algumas sustentam No centro do dia eu fico Inteiro no que sou O mundo gira em volta E eu não saio do tom Eu sustento Eu confio No centro do dia eu sigo Sem medo de durar A luz me atravessa Sem me quebrar O auge passa O que é real permanece

✧ O Peso da Terra ✧ Lammas ✧

Minhas mãos conhecem o tempo Que o dia não quis contar Cada passo deixa marca No que aprendi a sustentar Nada veio sem cuidado Nada ficou sem pedir O que cresce cobra presença Pra poder existir Eu reconheço o esforço Que me trouxe até aqui O peso da terra Me ensina a agradecer, Tudo o que foi sustentado. Agora pode ser O peso da terra Não quer me prender. Ele lembra ao corpo Por que permanecer O sol ainda aquece o ombro Mas já sabe declinar. O ciclo pede entrega Sem deixar de honrar. Nem toda colheita canta Algumas apenas são O peso da terra Me chama a permanecer. Nada foi em vão Se aprendeu a crescer Eu paro Eu reconheço O peso da terra Cabe nas minhas mãos. Eu sigo mais inteiro Do que quando comecei A gratidão Fecha o gesto

✧ O Que Permanece ✧ Mabon ✧

A luz aprende a dividir, O que antes era excesso. Nada falta, Nada sobra, Tudo encontra o seu peso. O dia ensina a despedida, Sem negar o que foi bom. O que cai vira caminho, Quando toca o chão. Eu não seguro, Eu confio. O que permanece, Não pede atenção. Fica no centro, Do que é chão. O que permanece, Depois de soltar. É o que sabe, Onde ficar. As mãos soltam devagar, O que já cumpriu o seu tempo. Nada morre, Tudo muda No gesto do vento. O equilíbrio não é meio, É saber deixar. O que permanece, Não quer durar Ele só sabe, Retornar. Eu aceito Eu recolho O que permanece, Eu levo comigo. Não pesa, Não prende, Não exige abrigo. O ciclo fecha, Em silêncio justo.

✧ Quando o Véu se Abre ✧ Samhain ✧

A noite chama pelo meu nome Sem voz, sem pressa, sem temor O tempo dobra sobre os passos Do que partiu, do que ficou Entre o fim e o recomeço Eu escuto sem falar Quando o véu se abre Eu não temo olhar Tudo o que morre ensina Tudo o que fica quer lembrar Quando o véu se abre Eu deixo atravessar Sou feito de despedidas Que não precisam sangrar As mãos antigas tocam leve O que eu pensei ter esquecido Nada some na noite escura Só muda o jeito de existir O silêncio sabe o caminho Que o medo não quer ver Quando o véu se abre Eu não temo olhar Tudo o que morre ensina Tudo o que fica quer lembrar Quando o véu se abre Eu deixo atravessar Sou feito de despedidas Que aprenderam a ficar Não chamo, não afasto Eu escuto Eu aceito Eu lembro O fim não fecha ciclos Ele ensina atravessar Quando o véu se abre Eu sei onde pisar A noite não me leva Ela me ensina a voltar Quando o véu se abre Eu fico inteiro No escuro que acolhe E não quer me quebrar Nada termina Tudo retorna Tudo se transforma

✧ Despertar do Círculo ✧

Despertador diga logo as horas para que despertem as mulheres todas. o tempo gira, a Terra chama há fogo vivo dentro da pele. Despertem senhores do bosque há um pulso antigo na terra e ele chama seu nome Despertador toque depressa para que despertem as sacerdotisas a que conhece os mistérios da parte escura do universo Levantem-se os que guardam o tempo os que conhecem o peso da escolha o mundo gira, o ciclo pede presença firme, passo que não foge Despertem para a Terra viva pois de seus filhos ela precisa despertem para o tempo agora o que foi esquecido retorna Despertem! Sacerdotisas e sacerdotes Despertem em união Dancem, caminhem e criem O eixo vivo da criação No alto da colina, no coração do bosque, Abaixo das estrelas com os pés no chão, dancem em todo lugar a todo tempo até em seus sonhos sempre em movimento Acima do sol, junto ao fogo guardo os portais do tempo sei quando agir, quando silenciar sei sustentar o centro do movimento Que não te surpreenda que sôe o alarme toca, toca e te ilumina não é grito de guérra ou poder é a vida pedindo para despertar Despertem! O círculo precisa girar. Com mãos abertas e passos firmes É hora de lembrar. Despertem! O rito vive no gesto Na escolha consciente No corpo presente A que invoca a água a que invoca o fogo a que invoca a terra a que invoca o vento O que guarda a água o que sustenta o fogo o que honra a terra o que chama o vento Despertem! Porque a Terra precisa Despertem! Porque o mundo pede mais O que já acabou, acabou Agora o círculo se refaz Quem escuta, responde. Quem responde, caminha. Quem caminha, sustenta. E o tempo se alinha em espirais.

✧ Eu Corto ✧ Banimento ✧

Eu traço o limite, Eu firmo o chão. O círculo se forma, E o verbo vira ação. Com os pés na Terra eu me alinho, Respiro fundo, volto a mim. Tudo o que pesa, tudo o que invade, Não cruza o círculo que eu ergui. Não é medo que me conduz, É presença, atenção e verdade. O que não vibra em meu centro, Agora perde autoridade. Eu nomeio, eu reconheço, E então deixo partir. O que não me serve, Não tem mais onde existir. Eu bâno, eu limpo, eu corto, Pelo fogo que consome, Pelo ar que leva, Pela água que purifica, Pela Terra que desfaz. O que não vem em equilíbrio, Não permanece aqui. O círculo está fechado, E eu estou aqui. O vento leva o que é ruído, O fogo consome o que sobra, A água dissolve os excessos, A Terra sela o que vier. Nada é negado, nada é temido, Tudo retorna ao seu lugar. O que não é meu caminho, Segue livre para circular. Eu não luto, eu não persigo, Eu simplesmente sou. E no centro da presença, O excesso se dissolveu. Eu bâno, eu limpo, eu corto, Com consciência e poder. O que atravessa meus limites, Precisa aprender a respeitar. O círculo é vivo e firme, Meu corpo é meu altar. Aqui só fica o que é inteiro, O resto pode passar. No silêncio eu reconheço, Minha força essencial. Nenhuma sombra me governa, Quando o centro está real. Eu corto, eu sélo, eu encerro, Com clareza e intenção. O rito cumpre seu caminho, E retorna ao coração. O que já foi, foi liberado, O que fica, é o que sou. O círculo se desfaz em paz, E o equilíbrio retornou. Assim é. E assim permanece,

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